Sunday, May 10, 2009
MY OWN PERSONAL LONDON Aplaquei um banzo decano. Até o sol fez questão de brilhar, de sair bem nas fotos. Antes não tinha câmera nem troco no bolso _só dois olhos esbugalhados, seja diante de um Caravaggio, seja diante do Parlamento. Agora eu os capturo, 8 megapixels por vez. Dez anos depois, o reencontro teve sabor de briga de namorados adolescentes. Não é fácil viver com uma cidade inteira pesando no peito, alfinetando o coração com suas torres e catedrais, com suas pontas neogóticas. Ela me eludia em sonhos, onde os cartazes do metrô já eram telas. Comecei ressabiada, duvidando do sol, dos canteiros floridos. London in full bloom _ praças coalhadas de gentre entre bluebells e todas aquelas flores cujos nomes só sei em inglês. Mentira: tulips and roses and violets and orchids are universal. But that´s holly, and the yellow ones are Sylvia´s daffodils, and the tulips, tulips everywhere. O maço de tulipas custa só uma libra e sempre acabo levando, hoje como há dez anos. Fui caçar Virginia, celebrar a novela de Henrique 8º, fui ver uma grande amiga _ who said April´s the cruellest month? Foi um abril de contos de fada, reis, princesas, bruxas e castelos. O pub na Wardour Street fechou, o Dogstar com clientela de uma cor só. A amizade, a mesma _isso só quem tem sabe o que é. O passado e o futuro se esgarçando, formando uma só gaze. Eu sou outra, Londres também, but both are still the same _ pessoas, cidades, o Tâmisa, todos ao sabor da maré. Eu sou outra, Londres também, mas nos demos tão bem. Dez anos, e fui recebida com flores, por reis e rainhas de tempos lendários, por mais história para contar, por encontros ao vivo com gente que amo. Obrigada, querida. Ainda nos veremos novamente.
::Nina:: | 5:38 PM |
UM MINUTO, UMA HORA, UM DIA, UM MÊS DE SILÊNCIO...
Pela morte de meu amigo Jack Folson, em janeiro, após uma longa batalha contra o câncer. Jack era um conhecido (e reconhecido) estudioso de Sylvia Plath e uma alma gêmea que calhou de nascer uma geração antes, nos EUA. É difícil descrevê-lo com propriedade, como sempre acontece com gente incrível demais, superior demais para esse nosso mundo que ainda engatinha para chegar lá. Na verdade, Jack era tão maior que a vida que não quis aceitar quando percebi a falta de emails, a falta de seus comentários lúcidos sobre esse tanto de coisa surreal que se vê por aí. Já faz um tempinho que soube de sua morte, mas não tive coragem de escrever até hoje, e não ia postar nada antes de conseguir finalmente digitar, letra por letra, uma coisa que eu gostaria tanto que não tivesse acontecido. Desde janeiro sou muito mais solitária do que costumava ser. Bye, Jack. We will meet.
::Nina:: | 5:31 PM |
Wednesday, March 25, 2009
UM MINUTO DE SILÊNCIO
Pela morte de Nicholas Farrar Hughes, caçula de Sylvia Plath e Ted Hughes, no último domingo, por suicídio. Rest in peace, Nick.
::Nina:: | 5:45 PM |


EU VI DEUS E ELE É CAOLHO
O show foi no domingo, e hoje já é quarta. E a lista de coisas que eu fiz nesse meio tempo é maior que a ficha criminal do Andinho, mas eu ainda estou no domingo. O Radiohead me engoliu sem nem tirar os espinhos. Can't shake it off, nem quero. Nada conseguiu estragar aquele show, nem o pisoteamento na saída, nem a biba que cantava mais alto que o Thom Yorke atrás de mim. Não é difícil entender meu gosto esquizofrênico em música _e tantas outras coisas_ sabendo da atração mórbida que a energia bruta exerce sobre mim. De Sylvia Plath a Iggy Pop, tá tudo incluso aí. Daí a coisa com shows ao vivo que eu tive até me tornar eremita. Mas hoje em dia não tenho mais o relacionamento que tinha com música. Não tenho saco para muvucas, para a vida da noite nos bares rróqui, enfim, veiei. Talvez isso tenha intensificado a catarse que foi o show do Radiohead. Dançar duas horas e tantos minutos, a música passando pelo meu corpo, e sóbria? Coração doer daquele jeito, a respiração falhando, por conta de acordes? Gargalhada sonora ao ver a massa de 30 mil pessoas em uníssono, losers choir cantando a plenos pulmões: I´m a freak, I´m a weir-do-o-ô? Good ol' Nina. Certas coisas simplesmente não mudam.
::Nina:: | 5:04 PM |
Sunday, March 08, 2009
MEETZA HIGHLANDER
Tá, eu sei, os períodos comatosos do Meetza tão rivalizando com os do Ariel Sharon, mas eu não fecho o boteco e acabou. Eu padeço de planos a longo prazo, e meu tempo é contadinho feito remédio de criança, gota por gota. Também padeço de apego. E insisto, feito um Quixote, em rabiscar linhas. Poor, poor Nina, soooo stuborn.
FOBIA
A massa marcha Em colunas A ordem me apavora O filme-propaganda de Herr Führer OS dazibaos de Mao Sempre a velha ordem Sibilando aos incautos Que bicho me mordeu? O pássaro noturno de Sylvia Plath? O abutre faminto de Prometeu? Um tupiniquim, um tupinambá? A ordem me apavora Mas mora longe Eu danço entre os meus
PÇA. JOÃO MENDES
Apressa o passo e pisa em falso Desfia a meia, quebra o salto São tantos degraus até o tribunal Tantos olhos, tantas sentenças Aperta os dentes e finge que nada aconteceu Tremendo sobre o salto solto Apertando os dedos nervosos Um homem chora num canto Advogados nos celulares, um enxame De experts no destino alheio
Paredes de mármore escuro Severo. Aqui exigem saia e decoro Aparência frente a Justiça (Cega?) Esse prédio é um grande fígado Saturnino, Lavando as feridas com bile A secretária me entrega uma ficha E me transforma em estatística.
::Nina:: | 5:47 PM |
Tuesday, December 30, 2008
CATFIGHT
Cá estamos nós novamente, Esperança. Sorrindo, frente a frente. Sei bem quem você é (a puta de vestido verde) Sei teu método, teu preço Terei eu a manha, a grana? Cá está tua libra de carne To bait fish withal, piranha.
::Nina:: | 1:48 AM |
DETETIVE
Foi J. Alfred Prufrock na sala de jantar Usando dois tomos de Guerra e Paz Foi sangrento. Ela se partiu no assombro.
Mas os pedaços criaram vida E a cada vez que os botam juntos É um tormento Todos se retorcem, moribundos Já sem a forma do todo Clamando o direito de fragmento.
Tal qual o mundo.
::Nina:: | 1:45 AM |
Saturday, December 06, 2008
"Journalism is not a profession or a trade. It is a cheap catch-all for fuckoffs and misfits — a false doorway to the backside of life, a filthy piss-ridden little hole nailed off by the building inspector, but just deep enough for a wino to curl up from the sidewalk and masturbate like a chimp in a zoo-cage"
HUNTER S. THOMPSON
::Nina:: | 4:46 PM |
BACK TO BASIS

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Meu lapitópi novo está em casa e se chama Julio. Chega de novidade. Bom mesmo é amor antigo. E chega de seriedade: posto diarinho meeesmo. E esse blog é brasileiro e não desiste nunca.
::Nina:: | 2:48 PM |
Saturday, November 15, 2008
INFERNO ASTRAL 3.2
I wish I was Na rede (re)lendo Cortázar No vento da madrugada Enchendo os olhos Com o novo Ou o velho ao vivo Icônico Me engolindo.
I wish I was Em Londres dez anos atrás Batendo perna em Oxford Street Duranga, olhando vitrines Sem pressa, Sem grana, sem grana All Oxford Street Entlang.
I think I am Bullet proof (Cria de Radiohead) E quem diria_ Afago a filha Meu canto no mundo É uma Família.
::Nina:: | 5:09 PM |
Sunday, October 12, 2008
EASY LIKE SUNDAE MOURNING
A calda escorre e pinga Pelos cantos da boca Esperando a língua
Você me queria oca Uma boneca de louça
Então me ouça: queria Vento em movimento vira coisa
Vira furação, varre ilhas. Meu olho é o olho do tufão
Interno; monstro ciclope É este teu amor por mim, E este meu senão.
::Nina:: | 10:47 PM |
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